Introdução
Natural de Santana do Cariri, Ceará, e nascido em 1957, Elízio Cartaxo é um artista de múltiplas linguagens. Seu trabalho transita pela arte gráfica, desenho, pintura, escultura, fotografia, poesia e música.
Desde o final da década de 1970, vem construindo uma trajetória marcada pela experimentação e pelo desejo de compreender e expressar, por meio da arte, as questões do seu tempo. Ao longo dos anos, participou de exposições individuais e coletivas no Ceará e em outros estados brasileiros, desenvolvendo uma produção própria, inquieta e sempre aberta a novas possibilidades.

A Exposição
“O Poeta de Frente pra Arte – Percepções e Reflexões” reúne um recorte dessa trajetória e apresenta ao público diferentes momentos da produção de Elízio Cartaxo.
Sua caminhada nas artes visuais começou no final dos anos 1970, com a participação em salões de artes plásticas e trabalhos realizados em nanquim, guache, óleo e acrílica.
No início dos anos 1980, a descoberta da colagem, em parceria com o artista Bené Fonteles, marcou uma nova etapa de sua produção. A partir dessa experiência, a técnica ganhou espaço e passou a ser uma das formas mais significativas de expressão do artista.
Sobre esse período, Bené Fonteles escreveu:
“Estas tuas primeiras incursões nesta técnica tinham propriedade pessoal, enxuta e leve… fez de recortes de revistas um trabalho preciso, contundente, questionador.”
A exposição reúne cerca de 60 obras, entre desenhos, pinturas, gravuras, esculturas e fotografias, permitindo ao visitante acompanhar diferentes fases e caminhos percorridos pelo artista.
A mostra também se aproxima de sua produção literária com o relançamento do livro de poemas “A Noite de Frente pra Casa”, aproximando imagem e palavra e revelando outras dimensões de sua criação.
Temáticas e Processos Criativos
A obra de Elízio Cartaxo nasce também de sua relação com o cotidiano e com as questões humanas e sociais.
Na colagem, especialmente, imagens e fragmentos encontrados em revistas e outros materiais são retirados de seu contexto original, recortados, combinados e reorganizados. Desse encontro surgem novas imagens e sentidos, muitas vezes carregados de ironia, crítica e questionamento.
Esse processo revela uma maneira particular de olhar para o mundo. Memória, emoção, inquietação e experiências vividas aparecem como elementos importantes de sua criação.
Mais do que simplesmente reunir imagens, o artista cria relações entre elas e provoca o espectador a olhar novamente, perceber detalhes e construir suas próprias interpretações.
Ações Realizadas em 2026
Em 2026, o projeto ampliou seu alcance por meio de exposições e ações educativas.
A mostra foi apresentada na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), aproximando a produção de Elízio Cartaxo do ambiente universitário e criando oportunidades de encontro com estudantes, professores, pesquisadores e a comunidade.
Nesse contexto, foi realizada uma oficina de colagem, na qual os participantes puderam conhecer e experimentar, na prática, uma das técnicas mais presentes na trajetória do artista. A atividade estimulou a criatividade e mostrou como imagens aparentemente desconectadas podem ganhar novos significados quando combinadas.
A exposição também esteve no Centro de Turismo de Sobral, ampliando a circulação do projeto e levando a obra do artista a novos públicos.
Essas experiências reforçaram a importância de aproximar arte, educação e comunidade, criando espaços para o contato direto com a produção artística cearense.
A Importância da Arte
Rogaciano Leite Filho escreveu:
“Existem indivíduos resistindo à alienação e se lançando no único elo vivo entre o homem e a eternidade da natureza.”
A ideia de resistência e liberdade presente nessa reflexão encontra eco na trajetória de Elízio Cartaxo.
Artista: Elízio Cartaxo
